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A Caravana nasce, parte... E chega...


Lendo os “Tesouros Expectantes”, como chamamos os escritos, artigos, jornais e revistas que pertenceram ao Mestre Sevãnanda e que foram zelosamente guardados por longos anos por Sévaki. nos deparamos com fatos ocorridos vinte anos antes de Thoth e eu vivenciá-los de maneira semelhante, como, por exemplo, ter uma espécie de diário onde anotávamos horário da partida e  chegada das nossas viagens, quilometragem rodada, despesas com alimentação, manutenção e todas as peripécias por que passávamos, e os relatos que eles publicavam em suas revistas e no Semeador. 

Na Revista Alba Lucis nº 2, encontramos um artigo muito interessante de um dos momentos mais marcantes da vida do nosso 2º Patriarca, quando pôs término a uma das mais conhecidas comunidades, muito antes de se proliferarem pelo mundo, nos anos setenta.

Faremos um resumo dos fatos mais marcantes, onde poderemos sentir o que seja uma vida de dedicação e entrega. 

...Chegando a Resende, no dia 6 de maio de 1958, não achamos o Thoth e, telefonando a Teresópolis, soubemos que ainda não havia chegado ele lá. Descansamos o dia 7 em Resende. No dia oito estávamos em São Paulo (sempre no retiro paulista: lar dos queridos Nelson e Leda) e entregamos à impressora os originais do 1º volume (do livro “O Mestre Philippe, de Lyon”). Naquele tempo eu tampouco sonhava em ter que escrever mais 750 paginas!...  

Em 10 de maio, voltávamos a Resende, achando Thoth e Zanti no mesmo quarto de Hotel onde pousáramos (em Teresópolis). E juntos nós tocamos para o MONASTÉRIO AMO-PAX, no qual, de acordo ao que combináramos, também vieram Discípulos do Rio, como Mario Teles e, Satyamuni, Yaradevi.  

De 10 a 19 de maio de 1958 foram dias de encaixotador, já que a papelada era muita. Nesse dia 19 de maio a ERMIDA (como denominavam o trailer) saía de lá como ilustrou-se na capa do Boletim anterior. Mas, o que vocês não podiam ver lá é como ela encrencou, para passar no rio, isto é, magicamente falando, era um perfeito FECHAR o que se ABRIRA em 1953.

Assim como, em 1953, a Ermida, ao transpor o rio do Monastério, achou uma pedra, do lado de dentro, que deu muito trabalho tirá-la de lá, assim ao sair, outra pedra, do lado de fora, calçou uma das rodas em plena subida do barranco e Peregrino, Thoth, Sadhak e outros fizeram uma força regilar!...

Pelo escarpado caminho que sobe do Monastério ao bambuzal de saída, o jipe, puxando a Ermida, foi perfeito, apesar de eu não ter mais guiado a Ermida desde quase cinco anos.

Em 20 de maio cedinho tocamos para São Paulo, com a camioneta do Thoth, com ele, Zanti, Luise, Sarah, Perseverante, Sadhak e um monte de malas. Resolvemos ir tocando. E, com treinamento de paciência do Thoth, cuja camioneta Dodge ia à frente, cansava de esperar, voltava para ver se vivíamos ainda... e assim por diante. A Ermida, com seus 18 km/h de média (por ser asfalto na Presidente Dutra!...) chegou pertinho de São Paulo, nesse mesmo dia à noite.

Jantamos num posto. Thoth e “tribo” foram saudar os amigos de SP. E avisar que não veríamos ninguém pois atravessaríamos a Capital de madrugada, quando o trânsito é reduzido.

Na quarta-feira, dia 21, fizemos, pois, debaixo de chuva, e com o asfalto perigosamente inclinado no início e muito pior depois.

        Thoth, em sua camioneta, fazia de tudo um pouco: ir à frente ver o caminho; tocar buzina e fazer sair um pouco do lado os grandes que nos teriam feito ir parar na valeta. Também voltava ele para nos avisar, nos preceder nas perigosas descidas (perigosas para a Ermida, que, se escorregar de lado leva o jipe e tudo, já que ela pesa o dobro).

           Thoth levava também, na frente, o “arroz integral” que Mãezinha pesava na Ermida e mandava preparar com horas de antecedência, comida mais ou menos vegetariana, pelo menos sem banha! Eles tinham na sua camioneta garrafa térmica com café natural, bolachas etc. E nós, no jipe, usávamos o “café macrobiótico” que Mãezinha preparava na Ermida. 

             Quando, por fim, chegava-se, esgotados de tantas horas de volante, com intensa atenção por minha parte, e orações de Mãezinha e da tribo do Dodge, a um ponto de pouso, após jantar no lugar escolhido por Thoth e irmos para o estacionamento mais quieto possível, geralmente postos, fora das cidadezinhas, começava a “instalação noturna”: firmar a Ermida em seus pés provisórios, firmar o jipe – no qual Sadhak, com seu colchãozinho e cobertor – se acomodava na frente após recobrirmos o jipe com o seu sobre-toldo, especial para viagem.

Na Ermida, armavam-se duas camas: uma grande, de casal, que existe na dita Ermida (bancos da frente transformados). No fundo, outro banco e uma caminha, já instalada antes de sair, acomodavam a Luise e Monja Sarah. A portátil monja Perseverante, com um colchãozinho de borracha no corredor, dormia muito bem. E, havendo um banheiro na mesma, tudo era fácil.

Com alegria, tudo ia bem e, apesar da chuva e do barro, foi um bom exemplo do valor da Harmonia que, por fim, tornávamos a ver entre os que agora nos rodeavam.

Em 25 de maio, atravessamos Curitiba, onde quase tivemos um acidente, por termos entrado com uma chuvinha sobre os paralelepípedos da avenida, mas, com ajuda do cabo de aço de um visinho amável e da Dodge, nos safamos e fomos por outra estradinha mais nivelada. E que caminho! Tudo que passamos anteriormente era café pequeno, comparado com os cem quilômetros Curitiba-Mafra.

A estrada “em construção”, sobre barro vermelho, e com uma pista com altos trilhos de lama, e cheia de automóveis, caminhões, uns encalhados do lado, outros patinando no meio, era “uma beleza”, como se costuma dizer.

E a Dodge ia à frente patinando um pouco e mandava parar a fila toda, para podermos passar. Um pouco por essa gentileza que só no BRASIL acha-se por parte dos camioneiros, um pouco porque já tinha corrido a voz lançada não sabemos por quem, “lá vem um laboratório, uma capela...”, e outros diziam “uma joça misteriosa”, com chapa branca etc. E outros ainda sentiam sem saber por que, ISSO QUE VEM É DA PROTEÇAO DO MEM PHILIPPE.

Nesse dia 25 de maio, umas treze horas de volante passadas nessas condições, chegamos a Mafra.

Mas jantamos alegres e dormimos; sempre: cinco na Ermida, um no jipe e o casal Thoth-Zante, na sua Dodge, e a cada noite passavam mais frio, pois entre Guarapari e o Paraná, já dá para sentir a diferença...

No dia 26, já em estrada bem melhor, fomos subindo aquela magnífica serra catarinense até Santa Cecília, isto é, a 120 quilômetros de LAGES.

No dia 27, saímos e, já na hora do almoço, uma delegação de Lages vinha nos trazer os primeiros e afetuosos abraços.

Tal como anos antes, ao chegar ao Monastério, a Ermida, após fazer 3289 Km naquelas condições, encrencou contra o barranco de entrada e lá ficou.

 

 

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