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A TRADIÇÃO, CAROLEI, E EU...

Por Sri Sevãnanda Swami

Segunda-feira, 21 de abril, 1958. Glória a Tiradentes, grande Brasileiro, grande Mártir, Gr. Mac...


Como já dissemos, em outras oportunidades, o Mestre Sevãnanda, 2º Patriarca Expectante, autor de tantas obras, deixou um livro inacabado: “A Tradição, Carolei, e Eu”.

Será oportuno ao estudante meditar o sentido de tradição. Para aplainar-lhe o caminho, segue abaixo a belíssima introdução da obra, resgatada dos “Tesouros Expectantes”, escritos dele para os Caros Leitores de agora e os futuros... 

Toda tradição começa, ou, se você preferir, uma Tradição nasce cada vez que alguém procura lembrar, imitar ou conservar o que outra pessoa disse, ensinou ou fez. Não é preciso ser bruxo de alto grau para deduzir daí, Carolei, que a Tradição está por isto exposta a todos os aperfeiçoamentos, a todas as deformações, em resumo, a todas as modificações que o modo de ser de cada recebedor, transmissor ou renovador lhe impõe e, ainda, conforme ele o faça: com boa ou má intenção, consciente ou inconscientemente. 

Por isso, a Tradição é bem diferente conforme “o cristal com que se mira”, como diz o espanhol. Para o intelectual, é um amontoado de dados postos em ordem cronológica, que irão lhe permitir documentar e diplomar a própria burrice. Para o bairrista de quatrocentos anos, é uma sucessão de nomes, bens de raiz, títulos públicos ou de renda, que lhe permitem esmagar ao próximo com a sua infinita superioridade, que as Companhias de Seguro de Vida garantem por 60 anos, em média... Para os “iniciados” (dizem eles...) de tudo quanto é seita, de Oriente ou Ocidente, é uma sucessão composta dos que receberam a transmissão e dos que dela se apossaram violenta ou sub-repticiamente, que fez chegar até eles certos gestos, ritos e... mais do que tudo, palavras: dialéticas esquisitas, convenções às vezes estapafúrdias e outras bobagens, sagradas ou não no entender de seus defensores e detratores. 

Não haverá outra forma de ver ou de receber a Tradição? Felizmente, há, Carolei! Tradição real é a sucessão de fatos operantes que permitiram algum progresso humano. Seja na ordem da civilização – vida coletiva – com suas quatro facetas que já citei em “Yo que caminé por el mundo”: Ciência, Filosofia, Religião, Arte. Seja na ordem individual, isto é, nos meios que vai outorgando a cada alma – ou mente, para os que não levam a alma em conta – para galgar a escala da perfeição, por uma das vias: saber, amar ou purificar-se, sendo que as três se unificam no Servir. 

Disso que ficou dito, devemos agora passar a aplicar o que for possível. Para isso, vou associar Você, ó Carolei querido, a minha maneira de ser e de sentir, pois assim lhes facilitarei o processo de se identificar – relativamente, quando menos – comigo. Assim, Você percorrerá com meus olhos e sentirá – espero – com meu coração, tudo quanto há de formoso no passado e no presente, indivisos e indivisíveis, que compõem a Tradição. 

Porque, Carolei, é preciso que Você saiba isto: indigno do Conhecimento e, mais ainda, do Poder, aquele que aplica com usura o que Deus lhe dá! Se uma semente tão miúda dá uma figueira gigantesca ou um Mozart, por que haveríamos de desperdiçar as sementes espirituais? Então, bom servidor, bom lavrador, é o que procura semear na forma em que germina logo e produz muito! Deixe às gralhas roubar!

 

 

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