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O MESTRE QUE VIVE EM MIM

Por Geraldo Lino da Silva, um discípulo


Quatro da tarde de 9 de maio de 2009, faltavam dois dias para o aniversário que planejara, meses antes, passar com ele. Que maior presente poderia desejar? Estava em Guarapari havia dois dias e sua instrução final já estava em curso: a resignação ante ao sofrimento e ao destino que se anunciava. Suficiente exemplo, cristalina mensagem para o observador atento. Aquiesci e retirei-me. Não quis ficar para ver... Menos de 35 horas depois, aos 25 minutos do dia 11, lua cheia no céu, partiu. 

Passados 33 dias da transição de Thoth, já posso falar do Mestre que vive em mim. Porém, sobre os momentos derradeiros, nada desejo dizer a não ser isto: com ele rezei e chorei, por ele pedi, a ele agradeci e dele me despedi, experiências vividas em plena comunhão e dentro da mais ampla consciência, por ambos. 

Fui o último Sacerdote de 2º grau sagrado por ele. Re-sagrado, aliás. Mas isso é outra história. Partilhei de sua última ceia, no Al Mare, de seu primogênito Adonai. Sua última celebração foi o meu Batismo Gnóstico Expectante. Presenciei sua última bênção, à mesa, o café servido. Ouvi seu último OM... Nesta ocasião pedi-lhe, então, e também à família, ali reunida, permissão para batizar meu vindouro filho com o nome “Valentino Thoth”. O Mestre lacrimejou e respondeu: “Isso, meu filho, mostra que estou dentro de seu coração”. 

É esta a imagem que fiz questão de guardar, daí ter-me furtado de comparecer ao velório e ao enterro, pois o Mestre viverá enquanto os espíritos positivos forem capazes de receber, transportar e ampliar seu legado... Dois dias atrás, no entanto, estive em seu túmulo. Conto mais à frente. 

MEU DISCIPULADO COM THOTH
Durante quatro anos VIVI esse Mestre com todas as minhas forças, limitado apenas por minhas próprias e inúmeras imperfeições. Apesar delas, me amou profundamente. Entregou-se de corpo e alma ao trabalho de lapidar a pedra bruta. Quanto lixo a ser removido!!! Mesmo conhecendo-me, recebeu-me e acolheu-me. Conduziu-me, pacientemente, a uma nova etapa, nova vida e posicionamento. Confiou-me suas angústias e preocupações, compartilhou seus planos e depositou em mim, como havia feito já com outros, um raio de esperança. Tornamo-nos amigos, confidentes, pai e filho. Irmãos! Vivemos juntos as alegrias e dores que se apresentaram no caminho. O Guru permaneceu comigo todo o tempo. Plantou flores em meu coração. E os lírios brotam até no lodo... Quão misericordioso é o Criador para conceder-me tudo isso... Ah, se eu soubesse expressar a minha gratidão... 

Sobretudo, quero lembrar os longos colóquios, oportunidades em que ouvi muito, falei pouco, gravei um bocado e divulguei pequena parte, aqui mesmo neste site e em reuniões de trabalho, com o grupo de Joinville. Na melhor Tradição oral, sintetizando os modos Expectante, Essênio e Martinista, Thoth transmitiu-me tudo aquilo que eu já podia receber. 

Sim, eu tive um Mestre. Esse homem, quando dava lições, o fazia sempre com tato perfeito, sem ferir a consciência de quem quer que fosse. Tive a felicidade de conhecer este servidor do Pai. Fui tocado por sua maravilhosa irradiação. Ele podia realizar, sobre seres acessíveis, todos os soerguimentos da vontade, sugerir disciplinas, encorajar atitudes, repreender ou absolver com doce autoridade. 

O ensinamento do Patriarca Thoth resumia-se a um só ponto, do qual tudo o mais dependia: a automodificação, a forja, a modelagem, a têmpera pessoal até que a criatura fosse ausência de egoísmo, amor integral, bondade total para com o semelhante. Porque, sem isso, tudo é necessariamente falso. Com isso, tudo nos é dado: progresso, harmonia, poder, felicidade e possibilidade de tornar outros felizes. Não ensinou nem praticou nada diferente. Perdoe-me, Thoth, pois sabes que falhei e falho. Sabes quanto deixei e deixo a desejar, apesar de seus esforços, apesar de sua bandeira. Muito embora as lacunas e deficiências do meu relato, dou esse testemunho na tentativa de torná-lo, caro leitor, sensível a esta comovente luz, e situado diante do que ele intentou para mim.

Explicar o Mestre, como pode ver, não é tarefa de que me sinta capaz. Recorro a Paul Sédir: “Quando o Mestre surge, é como um sol que se levanta no coração do discípulo. Todas as nuvens se desvanecem. Todas as gangas se desagregam. Uma claridade nova expande-se. Esquecem-se as amarguras, desesperos e ansiedades. O pobre coração tão cansado lança-se a radiantes paisagens, sobre as quais o aprazível esplendor da eternidade estende suas glórias. Já nada sombrio embaça a natureza. Tudo finalmente revela-se em admiração, adoração e amor”. E socorro-me também em Papus: “O Mestre é aquele que vem se sacrificar, que dá o seu ser em oferenda pela felicidade dos seus discípulos. Daí compreender-se-á a lei misteriosa: o iniciado matará o iniciador”. Talvez por isso, em sua última noite, no leito, ainda em casa, Thoth tenha dito a sacerdotes e familiares que o cercavam: “Estou indo em breve e levando comigo metade da dor de vocês”. 

Voltando aos dias atuais, a matéria de Thoth descansa agora no túmulo de número 5, fileira 2, do Parque Paraíso Cemitério Jardim. Curioso observar, logo ao lado, não muito longe de sua cova, imponente bambuzal, simbolizando a própria postura do Mestre perante as adversidades e provações: flexível e resistente, dobrava, vergava, mas não quebrava. 

Meu querido amigo e Mestre, eis-me aqui, de pé e à ordem, depositando lírios sobre a tua lápide. As mesmas flores que tu semeaste em meu ser e que prometo regar, proteger, adubar e cuidar até o fim, até o momento de reencontrar-te, do outro lado da cortina, ou mesmo deste, se nos for permitido novo encontro, nesta ou nas próximas vidas. 

Depois do cemitério, Thoth, naquela tarde de Corpus Christi, testemunhei o cumprimento da tua vontade, a posse de tua sucessora, Ischaïa, como a 4ª Matriarca Expectante. Que eu e meus Irmãos e Irmãs Expectantes saibamos ajudá-la e servi-la, no mínimo com a mesma pureza, sabedoria e amor com que tu serviste e iluminaste a todos nós.

 

 

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