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Sevãnanda

Agente do Verbo

Por Geraldo Lino da Silva, Sacerdote Expectante do 2º Grau


O 2º Patriarca da Igreja Expectante, Sri Sevãnanda Swami, era também um grande conferencista. Thoth, ele próprio orador de sucesso, sabendo que na vida civil e profissional estudo a arte e ciência de falar em público, em várias oportunidades me presenteou com relatos sobre as habilidades que seu Mestre e antecessor demonstrava perante as mais variadas plateias. 

Sobretudo nas décadas de 50 e 60 do século passado, Sevãnanda viajou muito por este país, e pelos vizinhos, divulgando sempre os trabalhos Egregóricos dos que seguem o MEM Philippe, notadamente durante sua célebre Cruzada Continental Pró-Paz Espiritual, ao lado de Mãezinha Sádhanã, companheira de lutas. Chegava aos lugares, procurava os líderes locais, associações de classe, Ordens, Fraternidades ou grupos constituídos e, onde houvesse gente disposta a ouvir, prontificava-se a palestrar. E sobre qualquer assunto, de forma livre e gratuita. Como se verá na transcrição de pequeno trecho, logo abaixo, suas Instruções verbais eram vibrantes, profundas, recheadas de conteúdo, acesso pleno ao Liber Mundi.  

Antes, porém, registre-se que o Mestre anotava tudo, cuidadosamente, em seu diário, que chamava de "Álbum de Constâncias". Na capa, a inspiradora inscrição "O pensamento de Jesus e o de Gandhi, e Seus Sacrifícios, nos unem a todos", lembra o ideal ecumênico Expectante. 

Ao folhear o documento, uma lição de organização e métodos. Fotos numeradas e datadas, imagens legendadas, assuntos classificados em ordem cronológica. Observava a fase da lua em cada ato agendado. A que horas saiu (em viagem), a que horas chegou, distância percorrida, providências necessárias à manutenção do veículo, com quem falou, nome e endereço dos que adquiriram os livros de sua obra prima "O Mestre Philippe, de Lyon". Enfim, aula de administração do tempo e valoração aos detalhes. 

SEVÃNANDA EM SANTA CATARINA

Emoção maior foi deparar com anotações históricas sobre a passagem do Guru pela terra onde fixei meus passos: "Dois de dezembro de 1952, chegamos a Joinville. O Jeep está com 76.374 km rodados. Lavado o carter, feito o rodízio, trocados o óleo e os filtros, engraxado". Em outra nota, a assinatura e o carimbo do prefeito da época, João Colin, hoje nome de rua, agradecendo a visita. Nas páginas seguintes Sevãnanda registrou sua intensa atividade na Manchester Catarinense, como as duas palestras transmitidas pela Rádio Difusora (ZYA-5), sobre "Yoga etc.", e no Rotary Club. Na Augusta e Respeitável Loja Simbólica "Amizade ao Cruzeiro do Sul" nº 46, dissertou sobre o "Papel das sociedades simbólicas, iniciáticas e místicas no progresso individual e coletivo". O Venerável da Loja, sete Mestres Maçons e um Companheiro assinaram a lista de presenças. Já na Augusta e Respeitável Loja Simbólica "Luz e Verdade" 3ª (Gr:. Or:.), o tema foi "Hierarquia", com 14 presentes. No Clube Joinville, falou sobre "Gandhi, Aurobindo e Subrahmaniananda". Trinta espectadores.  

Em 8 de dezembro, após seis dias de permanência e muitos outros compromissos, partiu o Mestre, para Curitiba, onde seguiu a pregação pela Paz. 

Não se sabe até hoje onde e quando exatamente foi gravado, por algum de seus Discípulos, o conteúdo transcrito a seguir. Supõe-se que tenha sido no Rio de Janeiro, por volta de 1970, ano em que o Mestre desencarnou. Sabe-se que, entre os que se propuseram a preservar o acervo, aparece Gustavo Rodrigues, amigo da Igreja, residente em Lavras-MG, a quem todo Expectante deveria agradecer, por nos ter entregue as fitas. Distante na linha do tempo, o discurso mantém-se atualíssimo. E é bem possível, CaroLei, que Sevãnanda tenha tocado esses delicados pontos, com o mesmo amor e vigor, também na sua cidade. Pois peregrinou por muitas, conforme atesta o Álbum de Constâncias... 

Pelo o que se percebe nas gravações, Sevãnanda respondia perguntas durante e após suas apresentações. Hoje selecionamos uma delas:

Vale a pena ou não fazer esforço a fim de que se convençam os cidadãos de que determinados clichês podem ser modificados, atenuando-se assim determinadas catástrofes?

Resposta de SSS - Mestre Philippe dizia: "Deve-se agir sempre, mesmo quando se estiver convencido de estar fazendo coisa inútil ou de que se irá fracassar. Portanto, esta seria a primeira resposta para confirmar que de fato vale a pena agir-se neste sentido. Em segundo lugar, nenhum de nós deixaria de avisar ao vizinho de que a casa está rachando e que provavelmente vai cair um dia ou outro. Se o vizinho não quer fazer caso, o assunto, o problema é dele. O nosso problema é apenas de cumprir com o aviso ou com a ajuda possível. Agora, o discernimento na ação é o seguinte: nós não devemos, por exemplo, tratar de comunicar estas coisas a pessoas nas quais a gente vê que o que vai despertar é escárnio. Porque... Não pelo escárnio a nós, pessoas, se não porque a pessoa só irá, pelo contrário, desacreditar o assunto. A pessoa só irá falar destrutivamente, digamos assim, relativamente falando. De maneira que o que a gente pode fazer de melhor é tratar de ver com quem está falando. Então, transmitir a cada um, prudentemente, a parte que lhe cabe fazer. Eu, por exemplo, costumo fazer em casa dos meus discípulos, em casa dos amigos que não são discípulos, e até em casa de pessoas estranhas, uma pequena experiência que eu faço todos os dias. Os que me acompanham sempre conhecem. Eu falo de um assunto qualquer, ligado às coisas de Philippe e tudo, mas falo um pouquinho... E depois deixo que as outras pessoas falem. Geralmente, 30, 40 ou 50 segundos depois estão falando de outra coisa completamente diferente. E eu deixo que falem... Me calo. Por que impingir a uma pessoa aquilo que ela não quer comprar? Isso está bom para um vendedor cujo papel é justamente obrigar a pessoa a comprar o que ela não precisa ou não tencionava comprar. Mas, no assunto espiritual não devemos fazer isto. Nós devemos apenas brindar uma coisa - e brindar muito prudentemente - para ver se há, não digo receptividade, se não quase desejo, afinidade, maturidade, se a pessoa está pronta para aquilo. Se a pessoa não (se) interessa, para que continuar no assunto? Não esqueçam: atrás de nós, de cada um de nós, tem um anjo. Atrás de cada pessoa há outro anjo. Se nós falamos uma coisa com uma pessoa e nem o anjo nosso nem o anjo dele pode lhe despertar a atenção para este assunto é porque a pessoa ainda não está madura para isto. Não está pronta. Poderá estar para muitas outras coisas. Não devemos julgá-la "atrasada" por isto. Ninguém está nem adiantado nem atrasado. Cada um está num determinado trabalho a fazer, encarnou para uma determinada coisa. Agora, devemos, portanto, nos preocupar por semear onde o terreno é fértil. E não lá onde vai procurar indiferença, descrença, crítica, que não constrói nada. Não devemos procurar converter nem convencer a ninguém. Devemos tratar de passar adiante uma informação, um conhecimento a quem mais ou menos mostra desejá-lo ou interessar-se. Creio que seja a única maneira construtiva. É, aliás, uma das razões pelas quais eu tenciono reduzir esta minha atividade pública, porque as minhas experiências neste aspecto não me demonstram que seja muito útil o método que eu vinha utilizando. Acho que o método de isolar-se mais, não no sentido de fugir para um convento, né?!... Isolar-se como? Deixar que aqueles que têm real interesse procurem... Acho que é muito mais interessante. Perde-se menos tempo e se faz perder tempo a menos gente. E não se tornam responsáveis a pessoas que tinham vindo só para ouvir. Não se esqueçam do ensinamento de Philippe, que dizia: Às vezes vocês vêm aí (às reuniões Dele) dizendo: Vamos lá que nos dirão coisas muito belas. Ele dizia: não sei se são belas. O que, sim, sei é que tendes obrigação de aplicá-las. Porque se não as praticam é melhor não vir ouvi-las.

 

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