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A Inveja

Por Thoth, 3º Patriarca Expectante


Era uma tarde amena em que tudo estava aparentemente calmo, não se via sequer uma folha tremular. A temperatura agradável era um convite para um confortante repouso. O ar, impregnado de aromas doces e acres emanados de um pomar, transmitia o zunzunar das abelhas que beijavam as flores. Entrava em sintonia um regato que deslizava entre os seixos, produzindo um suave murmúrio que era cadenciado pelo bater de um monjolo. A mãe Natura cantava em escalas festivas em lá-bemol o seu hino ao Supremo Arquiteto do Universo – o Criador!,,,

Enfim, Deus vibrava através de sua Criação!...

Na vivência daquele momento dulcíssono, entrei em estado de oração e compartilhei com a maior profundidade possível aquela dádiva amorosa que se fazia sentir.

Todavia, comecei a sentir que algo começava a vibrar, toldando a harmonia na qual me deleitava, e pensei: Ainda bem que transmito um ensinamento meu, cujo é: Quanto maior é o SER, mais as sombras se projetam sobre ele. Assim, quanto mais nos dispomos a viver ou ter harmonia, mais somos fustigados por inúmeras maneiras desarmônicas, proporcionadas pelas forças Negativas!

Eis, o que aconteceu, exatamente naquela tarde...

Eram dois “amigos” que se me apresentaram.

Ambos aparentavam e mesma idade, apesar de existir uma diferença de três a quatro anos entre eles. Depois da costumeira apresentação, me dispus a ouvi-los:

- Mestre, falou-me o mais velho, “Gostaríamos que o senhor nos permitisse relatar os nossos pontos de vista a fim de, se possível, ouvirmos sua opinião sobre o que expusermos”.

Acomodei-me da melhor forma possível, recostando-me no tronco de um vetusto cajueiro que ornamentava o extenso pomar e lhes disse: Ponham-se à vontade, por favor.

O mais “idoso” continuou então a falar:

Senhor, veja bem, sou nascido em um lar em que meus pais são possuidores de alguma posição econômica e financeira... Conheci, quando mais jovem, o meu “amigo” aqui presente. Imediatamente, dediquei-lhe toda a minha atenção, dei-lhe toda a minha amizade possível, ele compartilhou da mesma cama comigo. Vivemos juntos todos os nossos folguedos, nossas noitadas, travessuras. Dividi, às vezes, o dinheiro, quando tinha. Lutamos juntos no trabalho, na oficina de meu pai, o qual nos tratava com relativa igualdade, pois, o que dava a mim, dava também a ele. Viveu durante muito tempo em nossa casa, sob o mesmo teto, a mesa era igual para todos. Por fim, Mestre, vim a saber e a SENTIR que ele mantinha profunda mágoa por eu ter tido e desfrutado de uma vida como filho de pais ricos... Pergunto: Por acaso, Mestre, eu sou culpado por ter nascido de pais ricos? É justo o sentimento que ora ele possui contra mim? Eu não o culpo e, mesmo assim, continuo dedicando-lhe toda a minha atenção, pois acho que a amizade só pode ser conservada com ABNEGAÇÃO, regada com as desilusões sofridas e muito bem adubada, com o amor desinteressado. Só assim ela permanecerá florescente... Humildemente, este é o meu relato.

Olhei o rapaz com reservada simpatia.

Dirigi um suave e inquiridor olhar ao outro rapaz, que, ao sentir a oportunidade que se lhe dava para se expressar, não se fez de rogado e, depois de curto silêncio, se fez ouvir com uma voz que transmitia certa amargura:

Senhor, tudo que ele falou dentro do ponto de vista dele é real. Porém, os sentimentos individuais são uma verdadeira incógnita. Existem, na Alma do individuo, sentimentos dentro dos princípios da razão que até e própria razão desconhece. Assim, me sinto imbuído de algo estranho, que me avassala a Alma e que tenho realmente inúmeras vezes tentado descobrir para vencer essa coisa, que sei ser daninha e que medra agrilhoando tenazmente meu coração.

Sou nascido ao contrário dele, de um lar pobre, no qual nunca tive o carinho necessário de meus pais, a não ser receber recriminações e palavras ásperas e sem amor. Também isto é o que suponho. Portanto, sei e sinto que meu coração é árido. E ao conhecer e viver com meu “amigo”, recebendo deles as atenções enumeradas, algo de revolta brotou internamente. Sinto que não tenho forças para vencer esse sentimento inexplicável de intensa INVEJA, que incendeia todo o meu ser... E o resultado disso é um desejo ardente de querer sobrepujar as qualidades que julgo ser de superioridade do meu “amigo”, e que, sem ele querer, me abrasa, me sufoca, criando cada vez mais uma onda de desejos de me vingar nele o que sinto... Oh! Mestre! Quantas vezes eu mesmo me recrimino, mas algo mais forte me derrota nos poucos momentos de uma compreensível lucidez, e sou abatido terrivelmente pelos sentimentos que se aninham em meu coração. Apraz-me poder pisoteá-lo, vê-lo sofrer, ou negar-lhe qualquer coisa de que necessite... Que posso fazer?!

Dando a entender que tinha terminado, ou não desejando mais falar, me olhou como se quisesse me inquirir.

Ambos ficaram esperando a minha resposta como se aguardassem um julgamento. Entrementes, cerrei os olhos e deixei que a suave paz do local renascesse, envolvendo-me.

Depois de certo tempo de meditação e acolhedor silêncio, disse-lhes:

Meus queridos, uma das forças de atração Universal, a AFINIDADE, junta uns aos outros para que, em grupos ou pares, possam viver juntos as experiências, a fim de evoluírem através das vivências colhidas nas aprendizagens recíprocas. As Almas se encontram para juntas resgatarem as suas próprias deficiências, seus próprios erros adquiridos nas suas vidas atuais ou passadas. Assim, todas aprendem umas com as outras no mesclado evolutivo da aprendizagem.

Lamentavelmente, porém, alguns são deficientes alunos, deixando-se dominar pelos seus animismos, redundando com isso numa prejudicial perda de tempo.

O caminho de vocês nesta existência novamente se cruzou, ambos vivem suas experiências. Se tiverem um pouco de conhecimento e desejos de Paz, e quiserem seguir paralelamente na vida atual, vocês atingirão objetivos elevados no terreno espiritual. Se admitirem, porém, que houve simplesmente o cruzamento de caminhos, ambos irão se distanciar até novo encontro, pois tudo na vida espiritual tende a se encontrar um dia para uma possível planificação ou união final. Está, pois, na vontade das pessoas querer ou não, aumentar ou diminuir o tempo de permanência, juntos ou separados. Mas, saibam, meus queridos, que diante da Eternidade não há tempo nem espaço, pois Tempo e Espaço pertencem ao mundo da matéria, em qualquer dimensão que ela esteja. Assim, as limitações são temporárias e Ilusórias, já que todas as coisas e “cousas” têm que ser aplainadas para que, no final, TUDO SEJA IGUAL A TUDO.

Todos os sentimentos anímicos são inerentes ao mundo ilusório de “Maya”. A única Realidade é o AMOR CÓSMICO.

Assim, “amigos”, espero que, ao saírem daqui, procurem se analisar, e um dia espero que cheguem a saber que: Quando o homem consegue se encontrar, ele descobre e conhece o Universo, e tudo mais se torna insignificante e inexpressivo.

Saibam que, uma das mais terríveis peias no mundo material é o sentimento da INVEJA, pois esta leva as criaturas, às vezes, às raias do crime. E o maior de todos os crimes é o FALAR MAL das pessoas por INVEJA... Existe, na Bíblia, um ato bem definido que exemplifica muito bem o que é a INVEJA. CAIM e ABEL, os quais podem ser representados aqui...

A Amizade é um degrau do AMOR, quem não sabe ter amizade não pode SENTIR o verdadeiro AMOR!...

 

 

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