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Natal todo dia


Um grande presente de Natal seria finalmente reconhecermos que não aproveitamos integralmente as outras 364 oportunidades do ano para festejar a comunhão com o Supremo Espírito. Deixamos de praticar o Lema Expectante quando aquiescemos diante de distrações, tentações e necessidades mundanas.

Sim, a senda exige entrega total, mas não significa que devamos abdicar da vida comum... Aliás, o exercício está exatamente nela. O campo de batalha é exatamente este, começando pelo próprio indivíduo, pela família, os amigos, os colegas e, assim sucessivamente, com o "próximo", o desconhecido...

Vamos, portanto, tratar de pôr em evidência o nosso fifty / fifty (50% / 50%) e viver a vida material sob uma perspectiva espiritual, sempre, procurando dar o melhor de nós em cada terreno momento, nas infinitas chances que nos são oferecidas no diário viver para que nos situemos... E CONSCIENTEMENTE decidamos se queremos pensar e agir como Pequenos Deuses ou como Grandes Demônios. Nada mais que isso está sendo pedido. Que nos habilitemos a saber escolher... Porque é no vazio espiritual que as Forças Negativas atuam com maior efetividade...

Um Feliz Natal e um Venturoso 2016 a todos! E que o Cristo possa reinar em nossas mentes e corações todos os dias, todas as horas.

 

 

ASSÉDIO NO DESERTO
(Capítulo XXXIII do livro Escalada Espiritual, do Patriarca Thoth)

O sol abrasador se achava em pleno Zênite. O calor era sufocante. No céu não havia uma nuvem sequer. Viajávamos, Ischaïa e eu, pelo Norte, Noroeste entre Natal, Fortaleza e Teresina. Naquela ocasião cortávamos uma zona desértica, pois eram raros os carros que encontrávamos naquele horário e também raros os que passavam por nós... A camioneta puxava o trailer galhardamente. A nossa frente a estrada parecia soltar ondas vibracionais de calor saído do asfalto. Eu dirigia com os olhos doridos pela fixidez na estrada. Atento, procurava uma sombra para descansar um pouco. Mas, qual o que, a paisagem era desoladora, formada pela caatinga rala com seus troncos contorcidos como se estivessem fazendo um silencioso protesto contra a canícula. A terra mãe, meio desnuda de vegetação, mais cheia de grandes pedras, deixava entrever em suas faces as rachaduras em formas geométricas de hexágonos, polígonos, triângulos, retângulos, pirâmides, cones, cilindros etc., etc.

Olhava contristado a aridez daquela região do Ceará. Ao longe, bem ao longe, se divisava uma série de montanhas que formavam um paredão. Davam a impressão de que a estrada terminava lá. Atônito, fiquei cogitando como seria o trecho que estava por vir. Mais ou menos uma hora depois a resposta se fez. Era a Serra de Ibiapaba, que faz divisa do Estado do Ceará com o Piauí. Ela formava o extenso planalto onde existiam vastas chapadas. E exatamente na chapada do mesmo nome foi que a estrada dava acesso ao planalto. Percorri dez quilômetros para chegar ao ápice... Oh! Que colírio para meus olhos ao ver o contraste que a Natureza nos presenteava. Sentia como se estivesse sobre nuvens, pois vislumbrei lá em baixo, por onde viera, a terra seca... Um quadro morto... Em contraposição, lá em cima, o verdor, a brisa fresca nos brindava com um clima totalmente diferente. Aspirava aquele ar com sofreguidão como se estivesse fazendo uma desintoxicação. Depois de me deleitar com a vista proporcionada pelo mirante, procurei estacionar o trailer com a decisão de ficarmos ali por um tempo onde havia local apropriado para essa finalidade.

Fiz esse relato como introito ao capítulo a que me propus para demonstrar que o estado de sequidão em SENTIR as coisas existe implantado proporcionalmente em todas as criaturas e, com mais forte presença e denodo, naquelas que não conhecem a miséria e a fome.
Por favor, não me repilam achando que em nós não existe aridez em nossos sentires!... Oh! Não existe? Então, vejamos: Ao nos depararmos com um mendigo, nós o vemos com amor? Ao menos com simpatia? Procuramos tratá-lo com carinho quando damos pelo menos um pequeno óbolo? Ao visitarmos um doente, já nas vascas da morte, nós seríamos capazes de doar a ele atenção com um profundo estado de AMOR IMPESSOAL, ou o olharíamos com um simples estado de pena, dó, sem, no entanto, SENTIRMOS a realidade que ocasiona usar só a palavra sem ter o real sentir das mesmas?

Esses itens e outros análogos não nos deixam pasmados de ver que a indiferença é um estado de nossa ARIDEZ interior?... Vejamos outros senões: Nós conclamamos em altos sons que amamos Deus. Será que O amamos realmente? Então, analise: Temos uma namorada, ou mulher, ou filhos etc. Não estamos a todo momento nos lembrando deles com preocupações, com amor? E quantas vezes ao dia nos lembramos de Deus? A não ser quando, na maioria das vezes, só para pedir algo?! Muito bem, com todas essas interrogativas e senões, sejam quais forem suas conclusões, estamos chegando ao clímax da questão. Por favor, tenham paciência... TOLERÂNCIA e COMPREENSÃO! Esta é a minha bandeira.

Proveniente ao estado de insegurança em nossas vidas, vivemos acicatados pelas incertezas do desconhecido, do amanhã. Isso faz com que a criatura humana, na sua insatisfação, seja um ser por demais acumulativo das coisas materiais, não medindo os meios e suas consequências na aquisição daquilo que deseja para satisfazer sua vontade!...

Como sói acontecer, depois de percorrer vários setores lutando muito para adquirir uma posição de relevo no âmbito material (o que é, às vezes, improdutivo); depois de se decepcionar, recorre apelando para o lado espiritual. De princípio, se lança afoito e cheio de vontade de realizar o que busca e deseja, pois não sabe que lá do outro lado nada vem às pressas e que nesse setor tudo está preso à Lei de CAUSA e EFEITO. E que ninguém, dentro do princípio de DIREITO, JUSTIÇA e RAZÃO, recebe alguma coisa se não tiver o Crédito necessário (aqui está o começo do princípio do fim).

Depois de ter dedicado algum tempo e visto que a coisa não é tão simples assim, começa a se desesperar. Aquela vontade inicial se desvanece... Então, nesse momento, vem ao encontro, para satisfazer as aspirações do indivíduo, uma “aparente táboa” de SALVAÇÃO que é a manifestação do NEGATIVO.

O Diabo, vendo que o estado desesperador do indivíduo é por desejar posses, ardilosamente acena com promessas: Olhe, você está perdendo seu tempo em seguir este caminho. Venha que lhe darei os meios de que precisa para ter a mudança que anseia. Veja como você está na penúria... Comigo seus mínimos desejos serão satisfeitos com rapidez... E lhe mostra um quadro promissor dizendo: Veja quanta coisa poderei fazer. Basta seguir minhas orientações... Olhe a sua família, seus filhos, sua mulher e você mesmo como está. Saia desse marasmo, desse mundo de pobreza, desse deserto sem amparo. Venha gozar da opulência, do poder que lhe vou conferir...

Com estes acenos, meu caro, você fraqueja e cai na armadilha, escorregando na “casca de banana” jogada por ele... Tornando-se assim um prosélito da Força NEGATIVA.

O que está exposto traz à lembrança o Evangelho de Lucas, 4:2 (ss): “E Jesus quarenta dias foi tentado pelo Demônio. Naqueles dias não comeu coisa alguma. Terminados, Ele teve fome. E o Diabo Lhe disse: Se tu és filho de Deus, diz a esta pedra que se transforme em pão. O demônio, levando-O a um monte alto, mostrou-Lhe os reinos do mundo e disse-Lhe: Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi dado e eu dou a quem quero”. Essa passagem vem alicerçar o período acima.
De fato, o demônio pode nos atender, mas seu preço é muito alto. Será que é compensador?...

Muitas e muitas vezes nos sentimos isolados em nossas vidas. É como se nós estivéssemos num deserto, na solidão. É preciso tomar cuidado, pois a solidão, às vezes, é má conselheira. É nesse momento que somos atacados por “negros pensamentos” oriundos do nosso Eu Inferior, que é o nosso demônio INTERNO.

Diz o insigne Mestre Amo Philippe: “Temos o Bem e o Mal dentro de nós. O Mal não é outra coisa que o demônio, e nós somos somente anjos caídos. O demônio existe, é certo, e não devemos negar a existência dos espíritos infernais. Seria negar os espíritos benfazejos. Mas não devemos ser supersticiosos”.

 


 

 

 

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