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SARVANANDA: o guardião do Monastério AMO+PAX


No dia 18 de abril de 1999 partiu para o Plano Superior o nosso querido amigo e Sacerdote do 2º grau, o Swami Sarvananda.  Era natural da Transilvânia, região centro-ocidental da Romênia, na Europa Central. Georg Kritikos, seu nome civil, escolheu o Brasil como pátria terrestre. Muitos conhecem sua trajetória como discípulo e sucessor do Mestre Sevãnanda, na Sarva Yoga. Eminente professor, terapeuta e mestre espiritual.

A Igreja Expectante procurou reunir relatos de alguns de seus discípulos para homenageá-lo de maneira simples, amorosa e  muito saudosa.

SWAMI SARVANANDA – Um Mestre em minha vida
Gilsomar Elias – Instrutor de Yoga e Sacerdote Expectante

Em 1986, estava cursando Administração de Empresas na PUC. Apesar de aparentemente estar tudo bem, estava vivendo momentos difíceis em minha vida: incerteza, insatisfação pessoal e um vazio por dentro que me incomodava e precisava ser preenchido.

Comecei a praticar yoga com Lenita, a qual falava muito do Swami Sarvananda, professor Georg Kritikos, que tinha uma sala de yoga na Rua Goitacazes, no centro de Belo Horizonte.

Estava ansioso por conhecê-lo, não sabia como, nem mesmo saberia o que dizer.

Nessa oportunidade, na disciplina de Ensino Religioso, obrigatória para tosos os cursos da PUC, o professor pediu para escolhermos uma religião, e fizéssemos uma entrevista com o responsável.
Como já sabia que o Swami Sarvananda era também sacerdote expectante, senti então que esta era a oportunidade para conhecê-lo. Fui até sua sala, me apresentei meio sem jeito e expliquei o motivo de minha visita. Ele sorriu me pedindo para entrar e aguardar na recepção. Conversamos pouco, pois ele estava ocupado. Me pediu para deixar o questionário e que buscasse no dia seguinte. Me despedi do Mestre e fiquei atônito que nem me lembro o que disse, apenas lembro do seu rosto, sua expressão forte mas cativante, seu sorriso meio contido mas o suficiente para  me fazer sentir outra pessoa. No dia seguinte retornei e fui recebido novamente por ele, que me convidou para entrar e conhecer melhor a sala. Me lembro com imensa alegria, da energia que emanava de sua presença, suas poucas palavras, mas que ecoavam fortemente dentro daquela sala, que para mim parecia um templo (e era realmente), repleta de fotos de mestres e perfumada pelo incenso. Nos despedimos e eu não sei porque mas tinha a certeza que ainda veria o Mestre por muitas vezes. Algo muito especial havia acontecido comigo. Já era um discípulo iniciado no caminho Sarva.

Os dias se passaram e eu fiquei com aquele sentimento apenas comigo. Continuei minha vida, ainda com a angústia de antes, porém tinha agora a certeza de que alguma mudança estava prestes a acontecer. Orei ao Mestre Philippe e pedi que me fosse esclarecido o motivo de todo esse sentimento.

Alguns dias depois, soube que a entrevista feita com o Swami Sarvananda havia sido publicada no jornal da Igreja Expectante: “O Semeador da Nova Raça”.  Para mim isso veio como uma confirmação aos meus pedidos e orações. Decidi seguir o caminho que me havia sido mostrado. Desse dia em diante, minha vida se transformou. Fiz o curso de professores de yoga com Lenita e na formatura, Sarvananda veio abençoar nossa turma. Dias depois recebi o convite do Bhaktidasa para dar aulas naquela mesma sala da Goitacazes, pois o Sarva tinha se mudado para Curitiba, mas vinha freqüentemente e nos passava ensinamentos e técnicas do yoga.  O ano de 1991 foi marcado por grandes acontecimentos em minha vida: Em fevereiro o Sarva celebra meu casamento expectante com Neide; em julho nasce minha primeira filha Naline Sádhanã (homenagem à Mãezinha) e nesse mesmo ano Sarvananda organizou novo curso de professores de yoga, e novamente fiz o curso recebendo os ensinamentos do yoga diretamente daquele que mais conhecia do assunto e outros inúmeros que nos foi passado. Tenho imensa gratidão pelas mudanças proporcionadas em minha vida e que norteiam hoje meu caminho. Swami Sarvananda foi e continua sendo o grande elo dessas mudanças. Guardo em mim as palavras, soando como ensinamentos, o olhar profundo, o abraço forte e até as brincadeiras para nos deixar descontraídos. Coisas de mestre... muito mais, coisas de pai... um pai que quer sempre o melhor para seu filho: “Cuide com os outros”... era o que dizia quando se despedia me acompanhando até o carro, em nossas visitas quase que obrigatórias aos domingos. Era como eu o via: um grande pai, para mim e minha família,  assim como sua esposa Daya, uma mãezona.

O tempo passa e o que é eterno permanece, assim como as alegrias, provações e acima de tudo a iniciação nesse caminho que hoje me faz sentir tão realizado.

O carinho que sinto é de um filho, que aprendeu a caminhar na estrada da vida, seguro pelas mãos, amparado, acolhido, alertado e até empurrado. Um filho como tantos outros, órfão da presença física, mas feliz pela sua enorme PRESENÇA em tudo que faço e naquilo que SOU e que ainda pretendo SER. Sigo agora meu caminho, procurando fazer valer ao máximo suas sábias palavras: “O importante no caminho Sarva é ter CONSTÂNCIA NA INTENSIDADE DA VONTADE!  

Reverencio a esse Grande Ser. Obrigado Sarva, pela vida que me ensinou a viver!   

Gilsomar Elias – Instrutor de Yoga e Sacerdote Expectante

 

COMO CONHECI SARVANANDA
Gustavo Alvarenga Rodrigues

Nesta encarnação, quando eu tinha 20 e poucos anos, tentando concatenar questões teológicas/científicas profundas, “reencontrei” o Sarvananda, que me ouviu e rebateu em réplicas, correlacionando tudo aquilo que eu buscava num paralelo com o homem, sua evolução e seus relacionamentos sociais, frisando que O “BEM” DISPENSADO AO PRÓXIMO É O QUE DE MELHOR PRECISAMOS APRENDER EM TERMOS DE SABEDORIA.

Instrutor nato, reto e calcado no presente/futuro, trabalhando incansavelmente para o bem da humanidade, às vezes dava um sorriso meio “comedido” para os canais de televisão que exibiam documentários mais sérios, que vinham comprovar suas teses sobre a atual condição da humanidade.

Banchá, missô, tahine e sopa de legumes inteiros com temperos naturais, foi ele quem me apresentou nos intervalos das aulas de YOGA e entre um “TB” e outro...

Andamos por algumas vezes em alta velocidade pela BR-381 para avaliarmos as condições dos veículos que nos transportavam e sempre com uma nuance de ciência ele comentava o desempenho dos veículos.

O SARVA era, em seus últimos meses, naquele corpo físico, um yogue acentuadamente pautado nos ensinamentos de Philippe de Lyon. Um Martinista, um GRANDE iniciado, sempre extasiado pela doutrina do “CRISTO” e sabiamente Honesto, Humilde e Honrado (Os três H's). Possuía/possui um percentual muito baixo de orgulho e muito alto com relação a sua fé no CRIADOR. Curou inúmeras pessoas de enfermidades físicas e espirituais, além de formar um regimento de professores de yoga e sempre colecionando amigos sinceros!... Seu esquife desceu numa manhã maravilhosa de céu completamente limpo e em tons do mais puro azul. Pude registrar parte dessa trajetória de vida em fotografia, áudio e vídeo para a posteridade e possíveis dúvidas sobre o trabalho de meu amigo SARVA!

Em Belo Horizonte, passou sua última noite hospedado em minha casa, como em muitas outras ocasiões. Fui eu que chamei o táxi para levá-lo ao aeroporto em seu último embarque rumo a Curitiba. Conversamos por telefone no dia anterior a sua cirurgia. Hoje mantenho minha ligação com ele em tons mais claros ainda...

Sua admirável discrição era/é ponto primordial para executar sua “FUNÇÃO”! Gostava/gosta de referir-se a cada encarnação como uma “função” e não no sentido lúdico “missão”...

Viveu/vive focado no trabalho... Sua Fé era/é facilmente notada pelos seus atos e percebida pelos seres mais sensíveis.

Como Philippe de Lyon dizia: “-Quando formos nada seremos o início”...

Então Sarvananda criou seu trocadilho: “-Podem me chamar de Sarva “nada”.

Sabia/sabe que somos um ponto de poeira no universo, mas que podemos interferir com relevância através de nossos pequenos atos e pensamentos.

Aí sempre me lembro que ser “nada” ainda é ser menos que ninguém... As grandes almas vivem fundidas no Todo, eliminando a palavra “EU” de seus vocabulários. Ele sempre evitava dizer a frase “Eu sou”...

Profundo conhecedor das sabedorias Oriente x Ocidente, focou seu trabalho com o público batendo nas teclas do “DESAPEGO” e do “SILÊNCIO MENTAL”. Usou vários livros e deixava transparecer mais acentuadamente sua maestria quando dissertava sobre a Era Aquariana / “Leis de Vayu” / “Philippe de Lyon” / e “O Homem, esse conhecido” ...

Sob a batuta de Léo Alvarez Costet de Mascheville (Mestre Sevãnanda), levou/leva de peito aberto e em alto e bom som a disciplina de MAHATMA GANDHI – A NÃO VIOLÊNCIA...

Grandes diálogos eram/são intercalados por dias de silêncio, mas riquíssimos de percepções das mais variadas formas...

Obrigado, MESTRE SARVANANDA, por iluminar caminhos e por trabalharmos ombro a ombro!

SARVANANDA EM MINHA VIDA
Sandra Magalhães 

           Um ser único, que me acompanha até hoje na minha estrada, com sua força luminosa, irradiando em meu coração todo amor, sabedoria, alegria, proteção e ajuda em toda a minha caminhada!

            Quando ele celebrou, no Ritual Expectante, o meu casamento com o Luiz, senti esta energia em toda a sua intensidade, todo o amor vibrando no meu anahata e espalhando-se pela sala e todos os presentes sendo agraciados por este momento especial!

            Era um fim de tarde lindo e, ao som de um piano e um violino, recebemos a sua bênção com um infinito abraço que hoje, tenho certeza, vai além das estrelas e brilha pra sempre em nossos corações!

 Com alegria, brindo este momento.             

MOMENTOS MARCANTES

Luiz Marques 

Estávamos por volta de 1982, eu imerso em uma profunda, insistente e desoladora depressão. Procurava, talvez, a última chance para encontrar a saída para esse mal que inundava todo o meu ser já por quatro longos anos.

Com Sandra levando-me pela mão, chegamos na Mãe d´Água, comunidade espiritual e alternativa que fora fundada pelo Mestre Sarvananda, professor pioneiro no ensino e prática da yoga em Minas Gerais. Ouvimos falar deste lugar através de um amigo, que estava se recuperando do uso de drogas e nos falou que a Mãe d´Água era um lugar mágico e que muitos se recuperavam de doenças e transtornos psicossomáticos se lá ficassem morando e trabalhando em contato com a natureza.

A vida lá não era fácil: levantar às 5h00 da manhã, às 5h30 tomar banho em um poço de água gelada de cachoeira, às 6h00 entrar para a sala de yoga e depois de uma abençoada e pesada prática conduzida pelo Sarva saíamos dali para o desjejum que era pão com mel e chá ou, na maioria das vezes, um mingau de alguma coisa que não dava pra saber o que era.

Logo em seguida o Bakthidasa, dileto discípulo do Sarva, distribuía as tarefas do dia para todos os homens e mulheres presentes. Logo no primeiro dia coube à Sandra lavar panelas e formas de assar pão em uma espécie de pia comprida em que a água, vinda da cachoeira, corria sem parar por vários canos fixados na parede e nos quais a Sandra sempre corria a mão para fechar uma inexistente torneira, o que fazia a todos morrer de rir. A mim, infelizmente, foi dada a tarefa de lavar uns três balaios repletos de panos sujos de carvão provenientes da lida no grande forno à lenha que gerava pães integrais maravilhosos. Tarefa esta que milhares de pernilongos atacando minhas costas e pernas insistiam em dificultar sem dar tréguas.

Assim os dias foram se passando, mas dentro de mim nada mudava e o sofrimento parecia não ter fim. Eu procurava uma oportunidade de conversar com o Sarvananda. Num dia bonito, ensolarado, fui designado para plantar milho e feijão em um extenso morro que já fora preparado para receber as sementes e, quando comecei minha tarefa na parte de baixo desta grande área de terra inclinada, vi, para minha surpresa, o Sarva lá em cima, do outro lado, bem longe, também plantando, com sua bela e indefectível fita branca na cabeça amarrando sua vasta cabeleira. Pensei comigo: é hoje que falo com ele, pois eu andava em sentido contrário ao dele, subindo o morro, e ele vinha descendo. Nosso encontro era inevitável. O Sarva já havia percebido que eu o fitava desesperadamente, pois verdadeiramente eu colocava minhas últimas esperanças em algo muito importante e significativo que me fosse dito por aquele homem, pequeno em estatura, mas com algo incomum que o tornava imenso aos meus olhos.

Enfim, quando na mesma fila de plantação nos encontramos lado a lado eu disse a ele:

-  Sabe, Sarva, eu estou sem forças para viver e tenho um problema de depressão muito grave e não há nada que acabe com esta angústia que me destrói até a alma.

Ele me olhou profundamente nos olhos e disse, com uma autoridade indescritível:

-  Você não tem nada não.

 Chegou mais perto e com três tapinhas leves na minha barriga finalizou: 

- É só batata.

Virou as costas e continuou plantando rapidamente como vinha desde que o vi, lá em cima do morro.

Eu senti algo muito estranho assim que tocou em mim, uma espécie de desconhecido e grande alívio.

Passei a acreditar em suas palavras e que eu não tinha nada e que meu problema tinha solução.

Entendi que "batata" era tudo de ruim que eu ingeria, alimentação errada, cigarro, álcool, drogas, pensamentos e sentimentos negativos em demasia.

Resolvi mudar meus hábitos e, a partir daquele momento, comecei o caminho da cura definitiva desse longo processo depressivo que tive.

Depois disso melhorei, voltei à Mãe d´Água várias vezes e coisas incríveis aconteceram conosco naquele lugar mágico, onde este Grande Mestre exerceu com magnitude seu imenso altruísmo, curando, junto com sua esposa Daya, muitos indivíduos que lá chegavam com todo tipo de problemas físicos, mentais e espirituais.

A vida do Sarva foi dedicada ao próximo, como é a vida dos Raros Seres cuja alma é tão grande que não cabe neste mundo e não passa um só dia em que eu não me lembre dele com o coração eternamente agradecido... 

O SACERDOTE SARVANANDA

Neide Alves Durães

Sarvananda é o grande marco desta minha existência, assim como para centenas de pessoas que tiveram a felicidade de encontrá-lo. Desde o nosso primeiro contato, na década de 80, que o seu trabalho e ensimentos estão sempre na minha vida.

Foi muito marcante a forma como fui iniciada no "Caminho Sarva". A primeira pessoa que conheci foi "Mãezinha Sádhanã, na sua sala de meditação "Rosa de Luz", no bairro Mangabeiras. Fui lá encontrar com Lenita para começar a praticar yoga para gestante, pois já estava no 6º mês de gravidez, do Camiran.

Foi surpreendente e maravilhoso estar diante da Mãezinha e participar da meditação. Daí para frente todo o Caminho Sarva foi se revelando gradativamente para mim, com muitas mudanças, luz, alegria, esforço e transformação.

Em 17 de fevereiro de 1991, Sarvananda celebra e abençoa meu casamento com Gilson, também discípulo dele. Naquele mesmo dia fomos batizados na Igreja Expectante. Quando Naline Sádhanã estava com 3 meses, Sarva reinicia os cursos de formação de professores de yoga. Eu e Gilson fizemos o Curso de Formação levando junto a Naline. O Sarva nos deu essa grande oportunidade e acolheu nosso bebê com todo o carinho. Esse contato mais intenso com ele foi algo realmente transcendental. Como dizia a Mãezinha, "fantástico".
 
A cada filho, que são três, abria-se uma nova perspectiva para nós nesse caminho de luz. Quando Ananda nasceu, começamos a "Escola Iniciática", com os encontros semanais, riquíssimos.

Sarva e Daya são realmente os nossos pais espirituais. Muitas pessoas olham o retrato deles, no Núcleo de Yoga, e perguntam se são nossos pais. Claro que são!

Eles foram muito presentes na criação dos nossos filhos pequenos, deram muito colo e carinho para eles. Teve época em que todos os domingos à tarde passávamos na casa deles, antes de irmos para o sítio em Moeda, onde morávamos. Era quando recebíamos importantes instruções. E mesmo não estando fisicamente presente, isso tudo continua sempre...

É maravilhoso perceber a profundidade e a eternidade dos laços, como discípula, amiga e filha espiritual. Saber que o "Labor" e o aprendizado não param, é um movimento constante em todos os planos. Está tudo gravado de uma forma IMPRESCINDÍVEL E ESSENCIAL.
Sarvanada é um Grande Farol de Amor, Luz e Consciência.

Dirijo a ele todo o meu amor e gratidão.

SARVA, MÃE D’ÁGUA E EU
Lenise Olive

         Falar sobre meu Mestre Sarvananda é tentar falar sobre uma “Estrela Guia”, pois como ele mesmo dizia, a sua missão era tentar levar as pessoas que estavam abertas e prontas no largo caminho, para um mais estreito, até o início da “ponte”, onde elas teriam que fazer a travessia sozinhas, e do outro lado encontrariam outro Mestre que as conduziria na grandiosa subida da montanha!

         Imenso amor ao próximo nesta gloriosa missão de ir e vir na larga via, retirando as pedras do caminho e levando pessoas até a “ponte” para depois retornar e realizar tudo novamente. Só as grandes Almas são capazes disto!

         Gostaria de falar de como conheci meu Mestre, pois é como um agradecimento por tudo o que recebi dele, e também de pessoas especiais que conheci através dele, que foram ou são um exemplo de Vidas dedicadas a ajudar o próximo.

         Morávamos em Niterói e, em 1982, na Revista Planeta, li uma reportagem sobre “Comunidades Alternativas” onde era mencionada a Fazenda Mãe D’Água, nas proximidades de Belo Horizonte, sendo seu dirigente o Swami Sarvananda e sua esposa Daya.

         Naquela época ainda estava casada com o pai do meu filho Bernardo, e começamos a manter contado por cartas com nosso querido “Sarva” (chamado assim carinhosamente pelos mais próximos), onde trocávamos idéias, recebíamos conselhos e as Instruções Probatórias da Iniciação Espiritual dirigida e orientada por ele, seguindo as diretrizes de seu Mestre, Swami Sevãnanda.

         Um dia, recebemos uma carta onde ele nos convidava para sermos residentes na Comunidade Alternativa Mãe D’Água.

         Lemos e relemos aquela carta e milhares de pensamentos e sentimentos nos sacudiram interiormente. Queríamos ir, era o chamado que tanto esperávamos, mas largar tudo, trabalho, família, casa... Não foi fácil decidir e, depois de meses, tomamos coragem e, impulsionados pelo chamado dos nossos corações e almas, fomos com nossa pequena mudança e nosso filhote Bernardo, de meses, morar na Mãe D’Água, para assombro dos familiares e amigos que não conseguiam entender aquela “loucura”, segundo eles.

         Ficamos instalados num quarto, no Alojamento, até que pudéssemos construir nossa casa. Acordávamos antes do raiar do sol para atividades de meditação e Yoga e o trabalho durante o dia era intenso, mas sem nunca ser cansativo ou monótono. Tínhamos horários de orientação espiritual, práticas de Yoga, trabalhos para nossa manutenção, e cuidávamos das pessoas que iam para lá com o propósito de cura através das terapias alternativas.

         Tudo era aprendizado!

         Morar na Mãe D’Água até quase o final da Comunidade, como residentes, e conviver diariamente com nosso querido Mestre Sarvananda foi um presente dos mais preciosos que tive.

         Sempre presente na minha vida, como Mestre e amigo por anos e anos, até a sua passagem para o outro plano, e graças a Deus e aos Mestres, pude ir, juntamente com meu filho Bernardo, ao seu velório em Curitiba para o último adeus ao seu corpo físico, pois Sarvananda está presente na minha vida muito intensamente até hoje, me orientando e me ajudando no que é permitido e possível. Qualquer agradecimento a ele é muito pouco pelo que tive e tenho recebido desta Grande Alma que sempre trabalhou para auxiliar o próximo. 

O SARVA COM QUEM CONVIVI

Ischaïa 

Quando casei com o Thoth fui a Belo Horizonte e conheci muitas pessoas. Entre elas, o Sarva. O primeiro encontro foi em sua sala, na rua Goitacázes. Nunca havia entrado em uma sala de Yoga nem conhecido nenhum Swami. Tudo era novidade. O maravilhoso aroma, a beleza e simplicidade da decoração, a quantidade de fotos e o professor...

Sarva de pés descalços, longos cabelos que a toda hora arrumava para trás das orelhas, um olhar penetrante, uma voz firme com sotaque... Nos recebeu amavelmente e com um abraço muito forte nos levou para uma salinha ao lado...

Eu muito tímida, não entendia direito o que falavam.

Depois desse dia nos encontramos muitas e muitas vezes, nos hospedamos em sua casa e tivemos o prazer de tê-lo conosco aqui em Guarapari-ES.

Participei de dois "TBs" e de muitas cerimônias, palestras, reuniões... Conheci a Mãe D’Água, sua esposa Daya e seus lindos filhos.

Sarva para mim era o amigo do Thoth, uma pessoa que sabia dosar o seu lado rígido com um lado maleável, sério e brincalhão. Tinha o dom de transformar um pedaço de madeira em uma obra de arte. Em suas mãos um lápis e uma folha de papel era o suficiente para fazer dele um artista.

Sua simplicidade era seu cartão de visitas. Não ostentava nenhuma vaidade, arrogância e empáfia. Quando Náyade, pequena, o chamava de "tio Sarva", ele retrucava "tio Sarvanada".

           Esse foi o Sarva que conheci e aprendi a gostar, de quem tenho muita saudade e boas lembranças. 

SARVANANDA: O GUARDIÃO DO MONASTÉRIO

Thoth 

         Após conhecer o Mestre Sevananda e tê-lo recebido em Guarapari, fui convidado a conhecer o Monastério AMO+PAX. A minha chegada foi o primeiro encontro com o Sarvananda.

         Ao avistar do morro o Monastério, desci fazendo o maior alarde, businando a minha camionete.

         Demorou um pouco e apareceu um rapaz magro, cabelos compridos contidos por uma tira branca, com ares de poucos amigos. Explica-se: era dia de silêncio no monastério!

         Esse foi o meu primeiro contato com o Sarvananda. Com minha chegada tonitruante, na hora do almoço, o Mestre liberou a todos do compromisso. ”Já que esse cara chegou fazendo barulho, estão todos dispensados do voto...”

   

         O fato mais hilariante de nossa convivência foi que o Sarva e a Daya vinham para Guarapari em lua de mel trazidos por mim na minha camionete. A viagem levou quatro dias, devido às fortes chuvas e atoleiros. As peripécias daqueles dias eram lembradas com muito riso pelos protagonistas, inclusive Mãezinha, que vinha junto, fazendo as vezes de sogra.

         Minha relação com Sarva sempre foi de muito respeito e consideração. Havia entre nós um pacto de apoio e colaboração mútuos. Esse pacto não se desmanchará jamais, pois foi firmado por dois irmãos provenientes da mesma família espiritual.

 

 

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